27.12.13

Paciência, o mais difícil exercício da vida

A paciência, pra quem é mãe ou pai, é um dos exercícios mais executados no dia a dia, mesmo que não queiramos ou que nem tenhamos paciência pra isso. Na verdade, quando a gente vira mãe ou pai de verdade e assume isso, a gente não tem um monte de escolhas, inclusive a de não ter paciência.

A Laura já tem dois anos e meio, e desde que ela nasceu é um exercício constante de paciência. Na maior parte do tempo acho que encontrei um equilíbrio na nossa convivência em que não perco tanto a paciência com ela, mas é claro que tem fases mais difíceis. Eu diria, dias, semanas extremamente difíceis. 

Certa vez, quando ela era bem pequenina ainda, começando a entender o poder de seu choro e suas vontades, eu comecei a perder minha paciência com ela. Eu simplesmente não sabia como lidar com aquilo tudo. Cheguei a gritar, fazer barulho pra assustar ou mesmo dar umas palmadas. No começo ela assustava, mas logo nada mais surtia efeito. O que me deixava com mais raiva ainda, pois não sabia como contornar aquilo tudo. 

Comecei então a racionalizar e reparar no meu próprio comportamento o que poderia estar provocando aquilo tudo. Geralmente quando eu estava apressada, estressada com alguma coisa, ou preocupada demais com uma briga de casal, coisas assim, eu não tinha paciência pras coisas normais de criança. Tudo tomava uma dimensão enorme e eu, já esgotada de energia em pensamentos desgastantes, não dava conta das simples necessidades emocionais da minha menina. 

Com alguns exercícios para me acalmar mentalmente, fui conseguindo controlar minhas preocupações e frustrações perante minha relação com a Laura. A yoga foi peça chave nesse meu crescimento pessoal. 

Entretanto, esses momentos reaparecem de vez em quando. E se tem uma coisa que posso dizer é que, mesmo se a gente fizer de tudo pra não transferir pros filhos nossos problemas pessoais, principalmente aqueles relativos à relação de casal dos pais, esses danadinhos sentem tudo. Anteninhas ligadas, mesmo se não verbalizarmos nada. 

Isso me faz pensar na conexão primordial constituída entre pais e filhos, algo como um cordão umbilical extracorporal. Numa relação onde há amor verdadeiro, cumplicidade e abertura pra troca e aprendizado, essa ligação se faz mais forte e duradoura. E eu sou grata, apesar desses momentos ruins, dessa ligação ser tão forte entre nós.


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