27.12.13

Poema disconexo

Meu ôco no peito
bate e faz tum-dum
meu ôco na voz
canta e só sai ar
meu ôco no corpo
anda, bambeia e cai
fraco desfaz
jazz

Amanheço amando
anoiteço perdida
peso pensamento
como banana à kilo
dói carregar
a dor de pensar
se leve é só ser e sentir
enquanto a memória dos outros
nos faz relembrar dos erros e medos

Amanheço disposta
entardeço esquecida
esqueço tudo o que importa
pão, manteiga, minha tia
um telefonema que seja
protelado à exaustão
preguiça predisposta
à toda questão

Lentidão, lentidão
como o burro que puxa carga
como o velho que observa
como o guri que aprende
a empilhar os blocos
blocos desformes
incoerentes
devagar
divagar mente

Algo que me faça sair da inércia
é como pastel na quermesse
quente, fresco e disputado
precisa esperteza
preciso exatidão
espera na fila
e aproveitar o sabor
que passa rápido
passou
acabou o dinheiro
e agora, josé?

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