Mesmo antes da minha filha nascer, muitas pessoas me questionavam se eu iria furar suas pequenas orelhinhas. Sem dúvidas, e pelo meu próprio exemplo (não tenho as minhas furadas até hoje), sempre respondia prontamente que não.
Alguns me olhavam com aquele olhar de reprovação, como se fosse eu totalmente contra a vaidade ou mimos visuais relacionados a bebês, que diga-se de passagem, muitas mãe só se preocupam com essa parte e se esquecem total ou quase por completo de aspectos da educação diária e afeto ao pequeno ser.
Pois bem, nunca tive medo de olhares tortos ou comentários esquisitos. Um dos argumentos desses indagadores era de que assim, de orelhinhas furadas, ela não seria confundida com menino. Ora, se isso fosse um argumento um pouco mais profundo eu poderia considera-lo, mas peraí, se acontecer a confusão é só desfaze-la, afinal isso também não vai definir nem influenciar em nada na orientação sexual da minha filha ou coisa parecida.
Não, eu decidi por não furar suas pequenas e delicadas orelhinhas pelo simples fato de que respeito a opção que ela possa tomar no futuro, e não tomar essa decisão como se fosse em mim, meu corpo. O corpo, apesar de pequeno e ainda totalmente dependente, é inteiramente dela, da minha filha. E no futuro, se ela quiser furar seus lóbulos e pendurar brincos de todos os tamanhos, vou respeitar sua decisão e não me opor nunca.
Acho muito errado e equivocado quem decide coisas do tipo por pessoas ainda incapazes de entenderem tal significado. E não é por que é um bebê que mãe ou pai podem fazer tudo com o pequeno. Ele é um ser diferente, com seu próprio corpinho e, no futuro, suas próprias convicções e própria maneira de ser. Respeitar um bebê é nada menos que respeitar o outro em sua plena integridade física e emocional.

Nenhum comentário:
Postar um comentário