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3.3.11

o cinema e minha câmera

Saio para fazer algumas imagens. Tenho sim uma ideia na cabeça, mas deixo que os acontecimentos em volta me carreguem para o resultado. Não produzo nada. Nem meu próprio figurino. 


Há uma distância enorme no que imaginamos ea imagem que conseguimos. Talvez por isso a literatura ou mesmo a música seriam artes mais "fáceis" para eu produzir. Se tenho a imaginação é só saber conta-la de uma forma interessante, enquanto para conseguir uma imagem condizente é mais trabalhoso, dificil pra mim. 

Procuro alguns motivos para essa minha incapacidade e esbarro em explicações recorrentes: minha timidez e olha não-imagético. Ou seja, sei quando gosto do que vejo, mas não sei criar algo que gostaria de ver. Além da timidez, que me deixa envergonhada na rua quando de posse da câmera os outros passam olhando curiosos e receosos com as possíveis imagens. Mesmo eu estando num local público, rs. 

Aí penso no jornalismo, aquele de estar no local certo na hora certa. E não produzir a imagem, apenas captar o que os olhos humanos vêem. A tal da realidade jornalística. Então sei que isso tudo só influencia meu modo de expressar. E que não quer dizer nada demais ou de menos, rs. Só mesmo um ponto de vista... o meu.

28.2.11

Individualismo

Meu erro talvez seja ser pouco egoísta para algumas coisas. E ser surpreendida por posturas completamente contrárias a esse meu comportamento. O de compartilhar, de dividir e querer co-participar das coisas assim como a co-participação dos outros nas minhas coisas. 

A falta de egoísmo, de ganância, de individualismo às vezes pode soar uma coisa bem bonita, mas pode não se encaixar bem na vida real... Tem que se dosar, a parte sempre mais dificil da coisa. Onde acho o  equilibrio? Ou não há?...

16.2.11

Dinâmica da vida

Antes eu era filha. Depois fiquei crescidinha e achei que a família eu pouco precisaria. Hoje vou ser mãe e vejo como imatura eu era. Como a gente erra em pensar que podemos e somos tudo sozinhos, sem mais ninguém. 

Eu vejo meu neném mexer na barriga. Me encanto com as imagens borradas do ultra-som. Fico imaginando como vou educa-lo, se terei amor suficiente, se terei garra suficiente pra enfrentar tudo o que a vida me colocar na frente. 

Fico imaginando o que a vida me reserva. Quais as cores novas as serem vistas e as noites mal dormidas valerem a pena com o sorriso meigo do meu filho. É o que todas as mães dizem, rs. É o que, e por mais medo que eu sinta, vai acontecer comigo. E é o que eu quero. Pras coisas fazerem sentido e a dinâmica da vida seguir na sua eterna espiral.

8.2.11

Infância

Assim, por um gatilho, o coração se enche de saudade. Seja uma foto, um acorde, um dia ensolarado... Não consigo desvencilhar das lembranças da infância em minha casa. Não quero me desfazer delas. Entretanto, e agora ainda mais, essa nostalgia vem com uma sensação a mais de que o tempo não volta, que ele muda a gente. Nos deixa mais frios, mais sérios, mais altos, mais sozinhos. Mas algo me diz que o poder de uma criança faz voltar algo da nossa própria infância. Será?

6.2.11

Adaptação

Coisa na vida que temos de estar sempre aprendendo é nos adaptar. Aliás, a própria adaptação é um aprendizado. Às vezes forçado, às vezes mais naturalmente. Tudo depende da ocasião, da fase, de uma série de fatores conflitantes e confluentes. Pois estou numa dessas fases, de aprendizado, de adaptação, de ruptura, de novas perspectivas, uma nova vida. 

Há alguns meses a notícia mais bombástica veio de um desses testes de farmácia. Estava então grávida. Lembrando e me comparando intimamente aos filmes americados, às novelas brasileiras... Me senti desesperada. Foi a tranquilidade de meu namorado que me fez apaziguar (ao menos por alguns momentos, rs). 

Então a notícia para as famílias, suas reações e então as decisões. As consultas de pré-natal, os ultrassons, os enjôos, a indisposição. A procura por uma casa, onde morar, os móveis ganhados, os pormenores. As questões legais, as preocupantes, as angustiantes. As decisões. 

Decidimos, e eu com o coração sempre às palpitações, virmos para outra cidade pela estabilidade do emprego. Decisão pelo todo, pelo bem maior, pela segurança, pelo conforto estrutural. E procura carreto, junta os móveis, junta as pessoas. Pega estrada e... casa nova. 

Cidade nova. Deslocamento social, vazio sentimental, angustia, choro, fraqueza. É a tal da adaptação. Sair da casa dos pais, do conforto de ter a familia por perto, da companhia das irmãs, até das picuínhas de convivência. Como preencher esse vazio que parece mais enorme pelo fato de estar grávida?

Adaptação...

22.9.10

O passar das coisas

Desde meus primeiros contatos com blogs (talvez aos 14 anos?!) que eu me interesso pelo assunto e interajo com a ferramenta. Me lembro perfeitamente do primeiro blog que tive, chamava-se "Libélula". Achava a sonoridade da palavra bonita e algo de misterioso no inseto me levou a querer tê-lo como representante. Pesquisei sobre o bicho, colecionei imagens, mas pouca coisa ficou na memória.

Ah, como escrevia bobagens! Coisas sem nexo, reclamações adolescentes. Poesias estranhas, contos sem pé nem cabeça. Histórias que diziam pouca e muita coisa sem importância. Lembro que passava horas desenhando no Paint imagens para divulgar o blog, rs. E, quando prontas, distribuía via e-mail para alguns conhecidos. Acho que gostava mais de fazer essa propaganda que alimentar o próprio blog de conteúdo, rsrs. 

Tempos depois fiz outro, atualizado com minha forma de pensar e expressar. O nome dessa vez queria dizer algo mais profundo, "Divisa". Alimentava-o agora com textos, dicas culturais, poesias mais melancólicas e pensamentos de uma típica "rebelde sem causa", rs. Foi um grande amigo, atravessando comigo toda a sensação de solidão dos 16, 17 anos.


Logo mais tarde, pós adolescencia, mas ainda conflituosa internamente, montei outro espaço. As coisas mudaram, eu mudei, mas a sensação de indecisão e incerteza ainda tomavam conta de mim. Fiz o "Na Divisa". Acho que de uma certa forma para frisar esse conflito interno. Mais poesias, textos de entrelinhas. Dicas culturais, críticas culturais convictas, e a própria vida cultural efervescente. Durou talvez quase três anos de existência até me senti alheia a toda a ideia daquele espaço. Não me sentia mais na divisa, não era tão poetisa de palavras e as dicas culturais estavam escassas. A vida mudara, eu mudara.

Então, depois de um bom tempo sem me dedicar a nada na blogosfera, inaugurei outro espaço. Este instante avesso, que é só um instante da minha vida e que logo poderá mudar novamente, rs. Isso por que a gente não pode parar, tal um ser humano em constante renovação que sou.

E isso tudo só pra dizer que às vezes abro aqui esse editor de texto, abro a página principal e não sei direito o que escrever. Mas que tem tudo para ser um espaço para mostrar meus trabalhos, ideias, artes e coisas afins ainda por um bom tempo. Ora, até registrei o dominio instanteavesso.com, rs. É isso, sejam bem vindos sempre aos meus pensamentos!