Tenho lido diversos textos pela internet, observado a mídia tradicional e conversado com amigos e pessoas em geral sobre toda essa mobilização popular nas ruas do Brasil inteiro. E uma coisa é certa, não há como se definir algo tão complexo. Sim, complexo pelo enorme número de insatisfações que vêm à tona na voz do povo através de inúmeras reinvidicações.
Eu particularmente, fiquei muito emocionada ao ver o inicio disso tudo. Há bastante tempo vinha preocupada com a inflação (uma dona de casa que não consegue fazer render o dinheiro pro super mercado), com o atendimento extremamente precário e ineficiente do sistema de saúde (e não falo só do SUS, as duas últimas vezes que fui ao hospital procurar atendimento pro meu marido e minha filhinha, fiquei de 2 a 4 horas, com plano de saúde, esperando atendimento. E no dia da espera de 4h, fomos embora cansados e revoltados pelo descaso), além das péssimas estradas (no caso a BR 381) em que temos de passar (arriscar) pra visitar a família.
E muito além dessas poucas coisas que citei existem inúmeros (inúmeros!...) outros motivos pra nos revoltarmos diariamente e querermos que algo aconteça pra mudar essa situação e que melhore nossas vidas. Sou simpatizante de muitos movimentos sociais e sempre acompanhei de uma forma ou de outra seus movimentos e reinvidicações ao poder público. E mesmo não participando de nada ativamente, me sinto integrada às suas motivações e seus direitos.
Neste momento em questão, tenho acompanhado toda a movimentação de longe, pelas redes sociais e pela mídia. Tenho descoberto muitas pessoas politizadas ente meus "amigos" e outras que estão indo somente na onda, sem saber ao certo o que está acontecendo ou o que fazer no meio, compactuando com idéias totalmente anti-democráticas e até moralistas.
O poder das redes sociais foi decisivo para reunir tanta gente nas ruas nos primeiros protestos e ainda é uma das armas mais usadas pela massa pra se mobilizar. Porém, é fácil detectar a manifestação de um povo que não sabe nada sobre política ou sobre seus mecanismos, compactuando com idéias totalmente perigosas, achando que está praticando algo para o bem de todos. Pessoas que não pensam, que não refletem, que nem ao menos confrontam ideias para criar sua própria opnião a respeito.
Ok, mas a gente já sabia que existem milhões de pessoas com esse perfil "maria-vai-com-as-outras". E daí? E daí, que o poder do coro dessas "marias" pode desviar o foco da insatisfação real e das soluções democráticas mais inteligentes pro momento. Dizem querer o impeachment da presidente como se quem entrasse no lugar dela fosse fazer algo melhor. Há quem diga que se prenuncia um novo golpe militar, ou algo do tipo. Há quem diga que nas ruas o clima é completamente diferente e que essa impressão de que as manifestações viraram arruaça vem somente da grande mídia.
Enfim, o país é heterogênio e enorme, creio que há espaço para todos. Mas, como unidade nação temos que pensar num organismo mais eficiente para gerir as necessidades de todos. Afinal, dividimos o mesmo espaço país, e minimamente temos de entrar num acordo de convivência, não?
Temos então de eleger um líder, um porta voz ao menos, para dar uma presença física e poder dialogar com o poder vigente. Precisamos de uma reforma política em que existam menos regalias para os eleitos e mais oportunidades menos publicitárias para novos políticos entrarem no poder. Precisamos de dinheiro bem destinado, de vontade política, de fiscalização mais de perto, de educação pro povo. Precisamos de tanta coisa que não dá pra ficar só saindo na rua gritando e levantando cartaz, chamando isso tudo de apolitico e querendo uma mudança política do país. Não, precisamos tomar partido (ou criar um partido novo) para dialogarmos com o sistema atual, e não simplesmente derrubar conquistas históricas. Existe um pessoal em BH que já está fazendo suas assembléias e organizando ideias, pontos chave para reinvidicações. Boa parte são artistas e pessoas ligadas à cultura. Acompanho de longe e torço para que algo se defina.
Porém nem tudo são flores. Nos últimos dias os vândalos de plantão estão também tomando as ruas. A crueldade da polícia parece estar liberada e muitos grupos de pessoas estão sujeitos a todo tipo de violência nesse momento. Leio nas redes sociais relatos sobre violência gratuita a pessoas que não estavam fazendo nada. Alguns sobre violência contra a mulher, coisa que me revolta totalmente. Um cenário de guerra e insegurança total para quem só quer valer seus direitos de cidadão.
Daí lembro da manipulação da mídia, dos documentários sobre capitalismo, neoliberalismo, golpe militar... Busco análises dos pensadores em quem confio e vejo que tudo parece um mato sem cachorro. Estamos todos perdidos. Nos movimentos nas ruas agride-se os partidários, os vândalos ou os mais exaltados com violência e os dizeres "sem violência" nas mãos e aos gritos. Sintoma do quão bizarro parece esse povo.
Sinto que para tudo isso exitem diversas análises, inúmeros ângulos a serem observados e muitos pontos a favor tanto quanto contra. Mas, uma coisa é certa, pra minha geração isso tudo é inédito, é fascinante e amedrontante. Não sabemos o resultado dessa força, dessa luta, mas ela existe e está nas ruas. Grita por uma solução enérgica, urgente. Quem será o primeiro a enfiar a mão na caixa de abelhas?
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