Pouca gente entende, mas um dos maiores investimentos que podemos fazer quando somos mães e pais é a educação dos nossos filhos. Mas não, peraí, num tô falando das melhores escolas com os pedagogos mais estudados do país, nem as técnicas mais avançadas de alfabetização ou qualquer tipo de educação direcionada como essas. Não. Estou falando da educação do dia-a-dia, aquela feita com paciência, amor e exemplo, que ensina o que não pode fazer, como devemos tratar as outras pessoas, como devemos nos expressar e lidas com as frustrações.... Isso sim faz um ser humano ser o que é (melhor ou pior...).
A gente não costuma raciocinar assim, sempre pensando em investimentos monetários, trabalhando muito para pode pagar a melhor babá, colocar na melhor escola, pra depois investir nos melhores cursos extra-curriculares, pro filho falar pelo menos 3 línguas, e quando ele for adolescente poder fazer intercâmbio... e o escambau! Tudo pra dar a eles o que nós (os pais) podemos dar de melhor. Mas, será?
Quando eu era adolescente, e devia encher muito o saco dos meus pais com minha contrariedade, minha rebeldia (mesmo que contida), meus questionamentos, e algumas vezes jogando na cara que não queria nunca ser igual a eles. Ah, eu dizia que ia arrumar um trabalho e assim que pudesse sairia de casa, que nunca ficaria pra ser dona de casa e passar a vida cuidando de filho sem cuidar de mim (leia-se, da minha carreira profissional).
O que eu não enxergava ali era a dedicação daqueles dois, mesmo na hora de ouvir tanta coisa que incomoda. E quando virei mãe, eu consegui ver pela ótica da minha própria tanta coisa da vida que eu nem imaginava. Uma delas é esse prazer de poder ver e acompanhar de perto os filhos crescendo e desenvolvendo. E sem a pressa do trabalho, poder dar atenção e carinho nos momentos menos oportunos do dia-a-dia. Por que o tempo fica mais lento, mais contemplativo quando se tem um filho. E mesmo que ele cresça e o ritmo acelere, a gente se pega em momentos bobos observando aquele corpinho que saiu do seu, que cresceu sob seu olhar e que agora, falando uma dúzia de palavras, parece já poder se virar na vida (só que não, rs).
Acontece é que muitas mulheres, impelidas pelo trabalho, pela condição de independentes e outras tantas questões feministas (não sem razão), acabam delegando esses momentos diários aos cuidados de terceiros (avós, tios, cuidadores, babás, berçários, escolinhas). Não as condeno de maneira nenhuma, não há julgamento aqui. Pois a necessidade nos faz tomar decisões nada emotivas (como deixar a licença maternidade e em pleno processo de lua de mel com seu bebê ter de entrega-lo a outros braços nada familiares) e seguir em frente com nossos empregos e carreiras.
É nesse ponto que constato minha realidade privilegiada. Sinto que tenho muita sorte (apesar de meus inúmeros conflitos internos, principalmente a respeito de ser dependente financeiramente de alguém) e que tudo isso é uma fase transitória, mas de extremo valor emocional para o ser humano que cresce entre meus braços (ou de baixo da minha asa?).
O primeiro ano de vida é quando a criança cria todas as referências emotivas com a mãe (principalmente, não descartando o pai, claro), com o contato da amamentação, dos cuidados diários como banho, troca de fralda, tudo isso é uma construção de confiança e segurança para o bebê. Vejo isso como um constante investimento no futuro, numa pessoa que vai ser tornar adulto um dia e tomar grandes decisões que podem afetar outras pessoas, e por aí vai. E quanto mais estável, amável e segura (principalmente no sentido emocional) sua infância for, melhor pra ele e para o mundo.
Portanto, agradeço principalmente a meu marido (Roger) pelo apoio nessa etapa da vida. Sem você, nada disso seria possível.
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Para ilustrar um pouco tudo isso de ser mãe e tal, abaixo uma entrevista muito boa que me marcou muito quando vi logo depois da Laura nascer. O pessoal do site Papo de Homem entrevistou o obstetra Dr. Alberto D'Auria, e o que ele fala vai de encontro com muita coisa que acredito e já até praticava instintivamente antes de ler sobre o assunto, ou mesmo ter visto essa entrevista.
"Dr. Alberto D’Auria é um dos maiores médicos obstetras do Brasil. Fez
o parto de várias meninas que hoje chegam como mulheres grávidas em seu
consultório. Viveu em uma comunidade indígena e aprendeu a detectar
mulheres em período ovulatório pelo cheiro. Acompanhou diversas
dinâmicas no relacionamentos de casais durante o pré-natal e na primeira
infância.
Mais do que muitos de nós, viu o mistério todo de perto, dia a dia, nascendo do nada e começando a viver."
“A convivência com o macho depois de fecundado o ovo, ela é necessária mas não é instintivamente natural.”
“A mulher cria nojo do marido, mas por uma questão social e de sobrevivência, ela mascara isso."
“Tudo o que acontecerá na vida dela, ele será o culpado. Mas que ele não se sinta ofendido.”
“Às vezes um espermograma é quase um atestado de óbito.”
“O homem moderno está terceirizando tudo. Você terceiriza o cara que vem fazer as coisas no seu prédio [...] E você terceiriza alguém que vai fazer a reprodução.”
“O homem moderno foi desaprendendo a sentir cheiros. [...] Pouco munido de inalação de feromônios, de todas as substâncias que permeiam as secreções das mulheres, o suor, a saliva, o homem moderno precisa de meios químicos, precisa tomar Viagra, precisa de espelho no teto para olhar a bunda da mulher, precisa aumentar tanto o número de estímulos em volta, que os estímulo básicos, que era o cheiro e os olhos fechados, são insuficientes hoje para transar.”
“O homem e a mulher nunca vão se entender. Porque no âmago do relacionamento a inveja é sempre o sentimento maior. E onde tem inveja você não consegue se unir.”
“Quando for a vez da mulher ficar por baixo, ela vai usar ferramentas que são altamente destrutivas e maquiavélicas. Se prepara porque você vai ter dificuldades.”
“As mulheres tem relações sexuais com o bebê. E muitas têm orgasmo amamentando.”
“Dos 30 aos 50: os homens só avançam, só ganham, horizonte promissor; as mulheres perdendo por minuto.”
“O executivo é esse homem que trabalha enlouquecidamente, sem pausa para o lazer. O lazer dele é programado numa planilha de Excel.”
“O obstreta nunca é esquecido. A mãe fala o seu nome a vida inteira.”
“As famílias se enxugaram em núcleos pequenos. Não há tempo para o avô, para um tio mais distante que poderia passar ensinamentos.”
“O maior patrimônio que você dá para um filho é o seu exemplo.”
---“Meu legado é a missão com o ser humano.”
Então, gostaram? Uma baita aula né?!
Ah, não conseguiu ver os vídeos por aqui?? Vai no post do Papo de Homem, tem tudo lá!

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