16.12.13

Sobre frustração e felicidade - (parte I)

Algo me inquieta aqui dentro. Aquela sensação de que algo está errado e é preciso fazer alguma coisa. Ao mesmo tempo, e sem saber o que exatamente eu sinto, fico paralisada sem mover um músculo se quer. Como se fosse a espera de uma tempestade, quando o ar está incrivelmente parado, não se ouve pássaros, nem o eco do movimento ao redor. Nada se move. Parece nem existir. 

Acabo de ler um texto bastante interessante num blog de um amigo. E creio que ele me fez colocar algumas engrenagens pra funcionar hoje. Fala-se um pouco do sentido do trabalho que realizamos, seja ele qual for. E como isso pode dar sentido às nossas vidas ou simplesmente deixar-nos no vazio. E é esse sentido que todos procuram incessantemente como se fosse a fonte da felicidade ou a própria felicidade em si?

O texto que me inspirou, Sobre o fenômeno dos trabalhos de merda, fala de toda uma "categoria" de trabalhos desnessessários para o pleno funcionamento da sociedade, e como essa sociedade valoriza o sistema de trabalhos, na grande maioria das vezes menosprezando funções como professores e operários (que por serem menos valorizados, ganham muito menos do que mereciam dado o valor de suas funções), e valorizando em demasia funções ditas desnecessárias, como advogados corporativos ou lobistas. Eis uma tremenda inversão de valores.


O que o texto cita, e que me chamou muita atenção, foi como  muitos desses profissionais dessas funções desnecessárias, ou os tais empregos de merda, ao perceberem a desimportância de suas funções são acometidos de grandes frustrações e perda de vontade de realizarem seus trabalhos ou mesmo de evoluirem nas carreiras. 

Reflito como é crescente os projetos de valorização de iniciativas independentes guiadas pelo amor ao que se faz, como o site documental Continue Curioso, onde mostra pessoas que desistiram de empregos convencionais para seguirem seus sonhos e se sentirem mais satisfeitos e felizes realizando suas atividades (seja ela qual for). Ou mesmo a iniciativa Compro de quem faz que funciona como um coletivo de artistas que expõem e comercializam seus produtos. E além dessas, existem inúmeras manifestações de projetos e pessoas procurando um modo de fazer o que ama e conseguir pagar as contas fazendo isso.

Pensando nisso, lembro mais uma vez das manifestações de junho, da insatisfação geral das populações mundiais, e como essa frustração está epidêmica. E como esse conceito de felicidade vendido na propaganda de shampoo faz cada vez menos sentido. A gente sente na pele quando compra um iPhone, e se fica sem bateria por um dia, percebe que foi mais feliz desconectado... 


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