Sempre me lembro daquela música do Gil, Tempo Rei. Esse tempo que brinca com o coração da gente. E nós, sempre a navegar tentando entender, digerir, absorver o que o tempo traz e leva. Sempre com aquela sensação de incapacidade, de incontrole, de perda.
Me lembro com exatidão das sensações do dia que descobri a gravidez e de como reagi a aquilo tudo. Como se realmente tivesse sido ontem. E tudo o mais que aconteceu em seguida, a mudança de casa, a adaptação na nova cidade, brigas e choros, alegrias e esperanças... E quando a Laura nasceu trouxe consigo um turbilhão de novos sentimentos e novas atitudes a se tomar que foi como se a vida começasse só ali. Tive que aprender muita coisa nova. A vida não era mesmo a de antes, e muito menos voltaria a ser. Até que a poeira foi assentando, a gente acostumando e a Laura crescendo.
Acho que é nessa parte que às vezes me vem a angústia. Ela crescer... É que a gente mal aprende como lidar com um bebê recém-nascido e logo ela faz 3, 4, 5 meses. Já sinto a personalidade dela no ar. E quando me olha é como se conversássemos. É linda que me dá muita vontade de morde-la. É engraçadinha e esperta que eu morro de orgulho, rs. Então, por que dessa bendita angústia?
Não sei... É essa sensação de não ter as coisas sob controle e ter de lidar com elas o tempo todo. Ter de aprender e reaprender o tempo todo. Ter de me adaptar e readaptar, como se estivesse navegando em alto mar, meio enjoada, sei lá. Me sinto perdida ao mesmo tempo que não...
Quanta ironia! Quando ela nasceu e eu naquele interminável cansaço só pensava quando ela faria três meses, época que todos me diziam que o bebê estabilizava seus horários. E então, ela em tal idade e pouca coisa tinha mudado, talvez só meu cansaço amenizado um bocado. Depois disso a próxima grande mudança e expectativa seria quando fizesse 6 meses e começasse com alimentos fora o leite materno, o que supostamente me folgaria um pouquinho permitindo que outros a alimentassem. E então percebi que eu terei de cozinhar e me preocupar muito mais com alimentação do que antes, rs. Muuuito mais prático só amamentar, rs. É prático (você e a comida andam juntinhos o tempo todo e não precisa de preparo), limpo (não suja talher, prato ou copo e nem uma dúzia de babadores e roupas), já vem quentinho (não se preocupe com temperatura!) e de brinde um colinho super aconchegante.
É Tempo, sua passagem deixa um rastro. É tanta memória, tanta expectativa, tanto desejo. Um quê de satisfação ou frustração que sempre fica no ar. Esse seu rastro que é nada menos tudo o que num breve instante era presente, cheio de possibilidades e mobilidade e moldabilidade. Mas, será? Será mesmo que temos controle sobre alguma coisa nessa vida? Se talvez aquelas em que menos tivemos interferência acabam se tornando as mais importantes e significantes. E só você, Tempo, pra nos fazer enxergar essas coisas.
Já diziam que o tempo cura tudo, ensina tudo, que mostra, que educa. Tamanha responsabilidade numa entidade só! É, Tempo... "óh tempo rei, óh tempo rei"!
Nenhum comentário:
Postar um comentário