uma canção qualquer ensaia nascer na cabeça
algumas notas tentam achar as palavras
aqueles versos que sambam
aquelas rimas atrapalhadas.
um verso quase pronto ameaça sair
com a ponta do pé pra fora de casa
ainda se apoiando na moldura da porta
escondendo com as mãos a própria cara.
uma palavra metida e safada entra na sala
se exibe toda de vestido minisaia
como se fosse salvar o mundo todo,
e por sua causa, tudo se enchesse de graça.
veio ali uma vírgula pra mudar tudo
deslocar as velhas palavras
o que era barulho ficou mudo
e de resto me sobrou nada...
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Ao me inscrever num festival de poesia, o Psiu Poético, me deparei com várias poesias do antigo blog que nem me lembrava mais. Esta é uma delas e resolvi republicar aqui. Fazia parte da sessão "poema que voa" do Na Divisa, que inclusive era a que mais fazia sucesso naquele espaço, rs.
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